
No post anterior, falamos do dinheiro que sai do caixa com RAT/FAP e quase ninguém vê.
Hoje, vamos falar sobre o dinheiro que a empresa talvez não etesja vendo, mas a Receita já começou a enxergar
Um Caso Real
Analisando os dados de um cliente nosso, identificamos 6 GHEs com medições recentes de ruído acima de 85 dB(A). Ou seja, postos de trabalho específicos cujos trabalhadores estão expostos a ruído acima dos limites legais.
Ao observarmos os dados em um horizonte de tempo maior percebemos que, nos últimos 3 anos, houve um crescimento de 2,60 dB nos níveis medidos, o que traça uma linha de tendência preocupante.
Afinal, mais do que atualizar o PGR periodicamente, é preciso estar atento aos riscos identificado, as medições realizadas em cada agente nocivo para, então, atuar na redução ou eliminar dos riscos.
O Custo Financeiro
Neste casos dos 6 GHEs com exposição acima dos limites existe um aspecto financeiro que precisa ser avaliado.
Em termos financeiros, estamos falando de um possível adicional de GILRAT de 6% sobre a remuneração dos trabalhadores expostos.
No caso analisado:
209 trabalhadores expostos
Adicional médio estimado: R$ 240 por trabalhador/mês (6% sobre a remuneração)
13 meses de remuneração (considerando 13 salários anuais)
Resultado:
R$ 652.080,00 de custo no ano.
R$ 54.340,00 de custo no mês.
A Lacuna
Muitas indústrias ainda acreditam que entregar EPI para o trabalhador é suficiente para descaracterizar o ruído. Por muitos anos foi legalmente aceito mesmo.
E aqui é importante fazer uma ressalva: a área de Segurança do Trabalho costuma ser muito zelosa com esse tema.
Controla a entrega e a ficha do EPI de cada trabalhador
Controla a substituição sempre que necessário
Controla os treinamento sobre o uso
Controla o processo de onboarding de novos trabalhadores
Em uma indústria de pequeno porte, com até 250 trabalhadores, por exemplo, é comum existir um custo mensal com EPI próximo de R$ 50.000,00.
E esse número normalmente está na ponta da língua para apresentar à Diretoria, exatamente como deve ser.
Só que existe uma lacuna importante nesse cálculo.
Desde 2019, a Receita formalizou que, se a exposição a agente nocivo gera direito à aposentadoria especial, existe contribuição adicional para financiar esse custo previdenciário.
O STF já havia decidido, no Tema 555, que para exposição a ruído acima dos limites legais, a declaração de eficácia do EPI não basta para afastar a caracterização previdenciária. Ou seja: protetor auricular não resolve sozinho essa conta.
E a grande virada de chave aconteceu recentemente.
Em outubro de 2025, a RFB publicou o parâmetro 50.006 da Malha Fiscal Digital, passando a cruzar informações do S-2240 do eSocial, que informa a exposição individual do trabalhador a agentes nocivos com as respectiva medições.
Na prática, se a empresa informa trabalhadores expostos a ruído acima de 85 dB(A), a Receita pode verificar se houve o recolhimento do adicional de 6%.
E, se não houve, a divergência pode aparecer.
Agora veja a provocação financeira.
Se essa empresa já acompanha aproximadamente R$ 50.000,00 por mês em EPI, mas tem um possível adicional de GILRAT estimado em R$ 54.340,00 por mês.
O custo que a Diretoria precisa enxergar praticamente dobra.
R$ 104.340,00 por mês.
R$ 1.252.080,00 por ano.
E esse não é um caso isolado.
Outro cliente nosso já tem provisionado mais de R$ 600.000,00 por reconhecimento retroativo de adicional de GILRAT, sabendo que as possibilidades de êxito na discussão com a Receita são pequenas.
Esse é mais um número que precisa entrar na gestão executiva de riscos ocupacionais.
Não apenas o custo de EPI, laudo ou PGR.
Mas o custo previdenciário da exposição que não foi tratada na origem.
Claro que mais do que apresentar o problema, é preciso apresentar a solução.
A Solução
E essa é exatamente a etapa que estamos trabalhando neste nosso cliente agora.
Para evitar ou reduzir esse tipo de custo, o caminho mais efetivo não é apenas trocar o EPI, mas atuar com medidas de engenharia, tais como:
- Mapear os GHEs expostos a ruído dB >85
- Identificar e medir os ciclos de trabalho
- Recomendar soluções para tratar a causa do ruído
E que soluções são essas? Soluções que tratem a fonte, como nestes 3 exemplos:
- Utilização de silenciadores em sistemas pneumático
- Controle afinado de afiação de ferramentas de corte
- Eliminação de ferramentas manuais de impacto (como martelos e marretas)
A mensagem principal do post de hoje é que o ruído também pode representar uma ineficiência de milhões de reais saindo do seu caixa, muito além do usual custo de EPI que é acompanhado.
Então, não importa se você é técnico de segurança do trabalho, engenheiro, gerente de RH ou diretor financeiro, essa variável previdenciária pode impactar o seu caixa e é um ótimo momento de prestar atenção nisso, antes que a Receita olhe primeiro.
Na Predita, nós desenvolvemos um ecossistema de gestão de riscos ocupacionais que gera score, mede barreiras e mantém rastreabilidade ao longo do tempo, como um verdadeiro motor de risco.
Além disso, para nós criamos uma solução exclusiva e inovadora que mede os GHEs, identifica as fontes de ruído e propõe soluções eficazes de engenharia para elidir o ruído antes de gerenciar o risco.
Nosso objetivo é apoiar sua empresa, muito além do EPI, mas tratando a causa do ruído na fonte e, posteriormente, mantendo a gestão efetiva do ruído ao longo do tempo.
Se você quer começar a estancar esse custo oculto do seu caixa e fazer uma gestão efetiva de riscos, entre em contato conosco e vamos te ajudar.
Perguntas frequentes
O que é o Motor de Riscos?
O Motor de Riscos é a plataforma de gestão de riscos industriais da Predita. Ele apoia empresas na identificação, priorização, acompanhamento e tratamento de riscos críticos, conectando evidências, planos de ação, eventos, indicadores e impacto financeiro em uma visão integrada para SESMT, lideranças e diretoria.
O Motor de Riscos substitui o PGR?
O Motor de Riscos não substitui o PGR. Ele apoia a gestão, a priorização e o acompanhamento dos riscos identificados nos programas legais da empresa, como PGR/GRO, ajudando a transformar informações técnicas em decisões, evidências, indicadores e planos de ação rastreáveis.
Quais Tipos de Riscos Críticos podem ser avaliados?
O Motor de Riscos pode apoiar a avaliação de riscos relacionados a acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, riscos críticos industriais, afastamentos, eventos com impacto operacional e riscos psicossociais, conforme a estratégia e a realidade de cada empresa.
Como a Plataforma PAZ Gerencia Planos de Ação?
A plataforma conecta os planos de ação aos riscos críticos avaliados, permitindo acompanhar responsabilidades, prazos, evidências, evolução dos controles e priorização das medidas. Isso evita que o plano de ação fique isolado da estratégia de gestão de riscos da empresa.
Como o Motor de Riscos Utiliza Evidências?
As evidências são utilizadas para apoiar a análise da realidade da empresa em relação aos riscos avaliados. Elas ajudam a diferenciar percepção de comprovação, fortalecendo a rastreabilidade das decisões e a consistência dos planos de ação.
O Motor de Riscos ajuda a Avaliar Impacto Financeiro?
Sim. A plataforma permite relacionar riscos, eventos e indicadores a impactos financeiros potenciais, incluindo perdas operacionais, afastamentos, acidentes, passivos e efeitos associados à gestão de RAT/FAP/GILRAT, conforme os dados disponíveis e o contexto da empresa
Para Quais Empresas a Plataforma é indicada?
O Motor de Riscos é indicado para empresas industriais que precisam gerir riscos críticos com mais rastreabilidade, integração e visão executiva. Ele é especialmente útil para organizações que desejam conectar segurança do trabalho, gestão operacional, conformidade, evidências e impacto financeiro.
Artigos Relacionados
O Dinheiro que sai todo mês com SST e ninguém está vendo
A torneira invisível de custos com Segurança do Trabalho
Você sabe estimar a perda financeira de um acidente de trabalho?
Como conectar toda a sua operação em um único sistema de gestão de riscos?
Como transformar segurança do trabalho em um plano estratégico de Diretoria

