
A segurança industrial deixou de ser apenas uma exigência normativa e se tornou um diferencial competitivo, de governança, gestão de riscos e de margens de lucro.
As indústrias mais maduras em gestão de riscos entendem que prevenir acidentes não é apenas proteger pessoas, mas também preservar a margem de lucro, sua reputação e a sustentabilidade dos negócios no longo prazo.
Mas afinal, o que diferencia um ambiente industrial de elevado nível de governança?
A resposta está em uma gestão de riscos sólida, sustentada por pilares que, quando integrados, criam um ecossistema de segurança robusto, eficiente e capaz de medir financeiramente os riscos.
Este ecossistema precisa, fundamentalmente, conectar: Modelo de Gestão de Riscos, Pilares de Segurança Industrial e uma visão do nível estratégico ao nível operacional.
Modelo de Gestão de Riscos
Na prática, um dos maiores desafios das indústrias é entender quais normas são aplicáveis ao seu contexto, além de decidir qual modelo de gestão de riscos e governança adotar, tendo em vista que existem diversas normas e melhores práticas sobre o tema no Brasil e no mundo.
As principais são:
- Modelo das 3 linhas de defesa (Integra controle operacional, controle interno e auditoria)
- ISO 31000 Norma internacional de Gestão de Riscos
- COSO – Sistema de Controles Internos (desenvolvido pelo Commitee of Sponsoring Organization)
- FERMA – Risk Management Standard (desenvolvido pela Federation of European Risk Management Associations)
- NR-01 – Programa de Gerenciamento de Riscos
- NR-04, 05, 06 e 07 – SESMT, CIPA, EPI, PCMSO
- e muitas outras.
Na Predita, nós acreditamos que todo esse referencial teórico é um ponto de partida importante.
Mas temos convicção que o grande diferencial de indústrias com elevado nível de segurança e governança é compreender, primeiro, que existem pilares que precisam ser analisados para planejamento de um programa robusto de gerenciamento de riscos que realmente conecte o estratégico e o operacional.
Vamos explorar brevemente cada um deles.
Pilares de Segurança Industrial
Fator Humano
Nenhum programa, modelo de riscos ou estratégia é mais importante que as pessoas que trabalham, operam dentro de uma indústria e constroem a cultura de gestão de riscos.
O pilar humano envolve vários controles importantes de gestão de riscos como: treinamento contínuo, conscientização, comunicação e cultura de comportamento seguro. A maturidade em gestão de riscos se consolida quando o colaborador entende o “porquê” das práticas, e não apenas o “como” e constrói no dia a dia a cultura de segurança da empresa. Os controles operacionais, por sua vez, serão apenas consequência de uma mentalidade de elevado padrão de governança.
Processo e Produção
Independente da norma envolvida, é fato que processos bem desenhados e alinhados ao contexto da sua operação irão reduzir a probabilidade de erro humano e de falhas operacionais. Este pilar inclui, por exemplo, o mapeamento das etapas de produção, análise de fluxos, definição de responsabilidades e integração entre setores. Um processo previsível, controlado e documentado é a base para a gestão de riscos, prevenção de incidentes e redução de perdas financeiras. E aqui é fundamental conectar o programa maior de GRC com o trabalho de rotina que acontece no setor de produção para garantir os controles internos essenciais.
Matéria-Prima e Insumos
Você já deve ter ouvido falar que quando se trata de matéria-prima a segurança começa antes mesmo da operação: na escolha, recebimento e armazenamento dos insumos, por exemplo.
Isso significa que controlar condições como transporte, empilhamento, manuseio e rastreabilidade de materiais é essencial para evitar acidentes, contaminações e, principalmente, fortalecer a cultura de gestão de riscos. Pequenas falhas logísticas que poderiam passar despercebidas se este fator fosse analisado isoladamente, podem se transformar em grandes riscos se não forem monitoradas com rigor. Portanto este é um pilar de segurança fundamental de ser compreendido no ecossistema como um todo.
Máquinas e Equipamentos
O pilar técnico da segurança de máquinas muita vezes é mal compreendido. Por vezes tratado apenas como adequação de máquinas às normas vigentes, manutenção preventiva, dispositivos de bloqueio, sensores, proteções físicas e sistemas de parada segura. Contudo, equipamentos bem projetados e inspecionados somente garantem integridade operacional e redução significativa dos riscos mecânicos e elétricos se devidamente integrados aos demais pilares. De que adianta, por exemplo, uma máquina adequada a NR12 operada por um colaborador despreparado?
Manutenção
A manutenção é a linha de defesa que impede o risco de se materializar no dia a dia e na evolução do processo produtivo industrial. A prática preventiva, aliada a registros detalhados, auditorias periódicas e planos de ação evita falhas de segurança e assegura a disponibilidade dos equipamentos com as barreiras de segurança necessárias e conectadas aos demais pilares de gestão de riscos.
Edificações e Instalações
A infraestrutura é o cenário onde tudo acontece na indústria. Instalações elétricas, ventilação, iluminação, rotas de fuga e sinalização de emergência são componentes críticos de uma infraestrutura bem planejada. Portanto, um ambiente industrial bem projetado e mantido garante condições seguras tanto para a operação, quanto para a resposta em situações emergenciais quanto para fortalecer a cultura e o ecossistema de gestão de riscos da empresa.
Gestão de Segurança e Cultura
Neste pilar é que a sua empresa vai definir o sistema de gestão que vai adotar para atender as normas e melhores práticas de gestão de riscos. Ele é o pilar mais importante e eficaz, pois conecta todas as áreas e os demais pilares em uma mesma linguagem de segurança com um planejamento estratégico.
Esse pilar contempla políticas claras, metas, indicadores, planos de ação e auditorias internas e externas.
Perceba que é ele que sustenta todos os demais, pois é o nível estratégico.
Porém, perceba também, que ele sozinho, desconectado do que acontece no dia a dia da operação industrial é como um castelo de cartas prestes a desabar.
Orquestração de Tudo Isso
Então o desafio maior é precisamente a orquestração de tudo isso.
É claro que um programa de gerenciamento de riscos eficaz precisa partir do nível estratégico para o operacional. De cima para baixo.
Da mesma forma, é essencial definir um planejamento estratégico e orçamentário alinhado ao modelo de gestão de riscos adotado pela sua empresa.
Contudo, a maior provocação deste artigo é que é uma via de mão dupla.
Olhar apenas para a estratégia sem compreender o “chão de fábrica” pode ser um tiro no pé e é por isso que muitas indústrias tem certificações, seguem normas ISO, tem auditorias anuais e, ainda assim tem acidentes de trabalho, perdas financeiras com pagamento de benefícios previdenciários e passivos trabalhistas.
Perceba que a conexão de cada um dos pilares da segurança industrial moderna a um modelo de riscos maior, integrando o estratégico ao operacional é que realmente irá garantir a solidez da sua operação.
Se sua indústria precisa de ajuda nesta orquestração de gestão de riscos, nós podemos te ajudar.
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